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A única estrela da Espanha — a era tiki-taka que mudou o futebol

Um título, três torneios e um estilo de jogo que reescreveu o que um meio-campo poderia ser. A era de ouro da Espanha entre 2008 e 2012, e o que veio depois.

ES Especiais · · Leitura de 3 min

A Espanha só venceu uma Copa do Mundo — em 2010, na África do Sul —, mas o time que ergueu a taça foi o capítulo do meio de uma sequência de três torneios que segue sem comparação no futebol internacional moderno: Eurocopa 2008, Copa do Mundo 2010 e Eurocopa 2012. Nenhuma outra seleção europeia jamais venceu três grandes troféus seguidos.

Antes de 2008 — Um país de quartas de final

Durante a maior parte de sua história, a Espanha foi conhecida como um eterno azarão — um país com clubes de classe mundial cuja seleção nunca conseguia passar muito das quartas. Não chegava a uma final de competição importante desde a Eurocopa de 1964, vencida em casa, uma distância de 44 anos.

2008 — Luis Aragonés finca a bandeira

Sob o comando do técnico Luis Aragonés, a Espanha venceu a Eurocopa 2008 com um estilo que soava novo: passes curtos, posse de bola incessante, o trio de meio-campo Xavi Hernández, Andrés Iniesta e Marcos Senna fazendo o adversário girar. A base tática vinha do Barcelona, onde Pep Guardiola estava a ponto de reinventar o futebol de clubes nas mesmas linhas. Fernando Torres fez o único gol da final contra a Alemanha.

2010 — O gol de Iniesta

Vicente del Bosque herdou o time e acrescentou Sergio Busquets — aos 21 anos, pupilo de Guardiola — à base do meio-campo. A Espanha perdeu a partida de estreia na África do Sul para a Suíça e, depois disso, venceu todos os outros jogos, todos por 1 a 0 a partir das quartas de final. A final contra a Holanda foi truncada e nervosa (um recorde de 14 cartões amarelos) e seguia sem gols até que Andrés Iniesta matou no peito e bateu de voleio para estufar a rede a quatro minutos do fim da prorrogação. Iker Casillas ergueu a taça em Joanesburgo.

2012 — O time para os livros didáticos

A Espanha completou o tri na Eurocopa 2012, indiscutivelmente em seu torneio mais redondo — vitória por 4 a 0 sobre a Itália na final, com David Silva, Jordi Alba, Torres e Juan Mata marcando. Xavi distribuiu 96 passes com 100% de aproveitamento na decisão. Foi o auge máximo do tiki-taka; em menos de 18 meses, o Bayern de Munique e, depois, o Real Madrid encontrariam o antídoto tático, e a geração de ouro espanhola envelheceria toda ao mesmo tempo.

2014–2022 — O deserto

A Espanha caiu na fase de grupos em 2014, nas oitavas em 2018 e, de novo, nas oitavas em 2022 — uma década de eliminações precoces. Luis Enrique e, depois, Luis de la Fuente iniciaram uma reconstrução completa, voltando a apostar na base da La Masia.

2024 — A restauração na Eurocopa

Na Eurocopa 2024, a Espanha venceu o torneio com sete vitórias em sete jogos, praticando uma versão mais direta e mais aberta do velho jogo de posse. Rodri, Dani Olmo, Nico Williams, Lamine Yamal — este último, aos 16 anos, eleito o melhor jogador do torneio. É o sinal mais animador que a Espanha trouxe para uma Copa do Mundo desde 2010.

2026 — A pergunta

Pode Yamal, aos 18, se tornar o ponto de apoio de uma seleção espanhola que pretende jogar todas as partidas com 60% de posse de bola? De la Fuente acha que sim. Se a Espanha conseguir adicionar uma estrela de Copa do Mundo ao escudo, completará o único grande troféu que a geração de 2008 a 2012 nunca deixou que esquecessem estar faltando.

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